Um senador da República afirmou que "foi difícil ouvir Marina Silva por seis horas sem enforcá-la." O mesmo declarou que "não a respeita enquanto ministra". O outro senador afirmou "ministra, se ponha no teu lugar".
. Falas brutais, carregada de
violência, que deveria causar repulsa imediata. E, no entanto, quantas vezes já ouvimos algo parecido mascarado de piada, de brincadeira, de
"modo de falar"?
Essa frase não é um caso isolado. É o eco de séculos em que vozes femininas foram silenciadas, desmerecidas, ridicularizadas. Começa com a piada sobre a mulher que dirige mal, a esposa que fala demais, a colega que é "muito sensível." Continua com insinuações de que o feminismo
"estraga" as mulheres e termina com a constatação resignada de que "homens são assim mesmo."
Já estive em grupos onde essas piadas pareciam inofensivas. Quando escolhi não rir, virei a
"chata". Mas quantas vezes, a depender da situação (principalmente em ambientes de trabalho liderados por homens ) nós mulheres apenas baixamos a cabeça, já acostumadas com o peso invisivel do que sempre disseram ser normal, ou então para evitar o mal estar com o “chefe”
Mas não é normal. Nunca foi.
O machismo não nasce pronto-ele é cultivado em cada comentário banal, em cada silêncio conivente, em cada riso que tolera o intolerável. E quando não interrompemos esse ciclo, ele se transforma em violência real. Em palavras que enforcam. Em atos que matam.
Esse tipo de espetáculo misógino ocorrido ontém não é um deslize: é estratégia de silenciamento e humilhação. Expõe, com todas as letras, o que significa ser mulher na política brasileira.
O que esperar de um Senado que trata as “celebridades” das Bets com estrelismo e a sua Ministra com humilhação e violência política de gênero?
A nossa luta é árdua e exige resistência.

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