Brasília, 3 de setembro de 2025 — O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da Ação Penal 2668, que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados de planejar um golpe de Estado após as eleições de 2022, avançou hoje para sua fase final. Neste segundo dia, foram realizadas as sustentações orais da defesa de Bolsonaro e de generais como Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
As defesas concentraram suas estratégias em questionar a consistência das provas apresentadas pelo Ministério Público, sobretudo a delação do tenente-coronel Mauro Cid. Também alegaram cerceamento de defesa. O advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, afirmou que não há indícios concretos de participação ativa do ex-presidente na suposta trama e destacou que ele teria promovido a transição democrática, apesar das acusações.
Já as defesas dos generais buscaram se desvincular das acusações, alegando que alguns dos militares chegaram a tentar “demover Bolsonaro” de ações radicais, reforçando a narrativa de afastamento estratégico.
Próximos passos do julgamento
O julgamento será retomado na próxima terça-feira, 9 de setembro, às 9h, no plenário da Primeira Turma do STF, quando terá início a fase de votação. A ordem dos votos seguirá a sequência: Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por fim, Cristiano Zanin, presidente da Turma.
Embora não haja prazo legal para a conclusão, a expectativa é que os votos sejam finalizados até sexta-feira, 12 de setembro. Para a condenação, é necessário o voto de pelo menos três dos cinco ministros. Caso confirmada, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão, considerando crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado democrático.
Enquanto isso, o esquema de segurança em torno do STF continuará reforçado até o fim de setembro. A Corte determinou medidas como a remoção de lixeiras, o aumento da presença policial e vigilância especial no prédio da Primeira Turma, para evitar tumultos ou manifestações violentas.
O destino político e jurídico de Bolsonaro, portanto, deve ser definido já na próxima semana, em um dos julgamentos mais aguardados da história recente do Brasil.

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