O Brasil registrou, em fevereiro, a maior taxa de inflação para o mês nos últimos 22 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 1,31%, bem acima da taxa de janeiro, que foi de 0,16%.
Os principais responsáveis pelo aumento foram os setores de Habitação e Educação. O fim do Bônus Itaipu resultou em um reajuste de 16,8% na tarifa de energia elétrica residencial, impactando diretamente os custos das famílias. Além disso, o início do ano letivo trouxe aumento das mensalidades escolares, contribuindo para a elevação dos preços.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (12), o grupo Alimentação e Bebidas também registrou alta, impulsionado pelo aumento dos preços dos ovos de galinha e do café. No setor de Transportes, a alta nos combustíveis e o reajuste das passagens de ônibus urbanos pesaram no bolso dos consumidores. A correção da bandeirada dos táxis também influenciou o indicador.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 5,06%, superando os 4,56% registrados no período imediatamente anterior. Para as famílias com renda de até cinco salários mínimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) chegou a 1,48% em fevereiro, enquanto em janeiro havia sido nulo.
A alta da inflação entre as camadas mais pobres da população também foi a maior para fevereiro desde 2003, influenciada principalmente pelo aumento na conta de luz. Nos últimos 12 meses, o INPC alcançou 4,87%, superando os 4,17% observados anteriormente.
Com o fim do desconto do Bônus Itaipu, a conta de energia elétrica subiu 16,96%, fazendo com que o grupo Habitação registrasse alta de 4,79%, impactando o INPC em 0,79 ponto percentual.
Os produtos alimentícios, embora tenham desacelerado, ainda apresentaram aumento de 0,75% em fevereiro, frente a 0,99% em janeiro. O INPC é um indicador relevante para o reajuste de salários e benefícios sociais, como o salário mínimo, seguro-desemprego e aposentadorias vinculadas ao INSS.
O IBGE realiza a coleta de preços em diversas regiões metropolitanas, incluindo Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e municípios como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Comentários: